-Que tipo de música, você prefere?
E eis que entro em um silêncio prolongado...
Já era pra eu ter essa resposta pronta a dar aos meus interlocutores ávidos por uma resposta objetiva e que demonstrasse minha personalidade musical.
O grande prolema está no fato de que essa é uma daquelas perguntas cruéis para mim. Tipo: Quem sou eu? Descreva-se em uma palavra. Escolha doce ou salgado.
Se eu não fosse tão emblemática, escolheria um ritmo e diria: MPB. Pronto, resolveria a questão.
Ou então para ser menos previsível, responderia: gosto de SOUL.
Poderia muito bem escolher qualquer desses tantos ritmos musicais e deixar satisfeito meu questionador.
Mas eu tenho uma seríssimo teimosia em querer me satisfazer, antes de qualquer coisa. E escolher um, dois, três, quem sabe, quatro ritmos, além de soar sujeito em cima do muro, seria uma traição comigo mesma. Afinal, sou uma eclética musical inveterada.
Não pensem que é fácil assumir isso, hoje em dia.
Ainda mais em épocas em que a feitura de uma música quebrou todos os padrões impostos de outrora, e criou vida própria.Graças ao Deus da Musicalidade!Assim não ficamos presos a um mundo sem novidades.E, porque não dizer, surpreendente.
Além disso, não somos nós - falo agora no plural - que escolhemos ser ou sentir assim. É um defeito-dom de fábrica. Vimos ao mundo com um gene múltiplo musical que nos faz mexer, incontrolavelmente,os dedos dos pés, quando não o corpo todo, com uma batida ou outra, em certos casos, não tão aceita pela crítica musical de plantão. E também por muitos de nossos amigos próximos , com quem tanto parecemos, em outros aspectos.
Até pensei em esconder do mundo essa condição pessoal,por nada demais, apenas para evitar olhares desconfiados e dizimadores daqueles que conseguem, facilmente, definir suas preferências.
Mas seria cruel não poder saltitar e cantarolar quando a introdução da música viesse. Até disfarço bem, mas quando se trata de música, é um sentimento incontrolável, em que não há via pra se escapar.Não conseguiria ser um Eclético Anônimo.Mas há quem consiga.Tem todo o direito, inclusive.
Também não sou o tipo de pessoa que é crítica severa das coisas.Não por falta de personalidade. Afinal, quem inventou essa tal?
Mas é que pra mim, a música é um conjunto. Se um dos seus múltiplos elementos me atinge, a química se instaura. Um som me basta. Uma letra de toca. Uma voz me prende. Uma coreografia me convida. Um besteirol me faz querer curtir.
Não olvido de que existem coisas boas e ruins em todas as áreas. Nesta, não seria, deveras, diferente. E compreendo as vozes que defendem ser necessário respeitar a produção desta arte tão vital.
Mas o que, hoje, procuramos?
Fórmulas, Vozes, Imagens ou Simplesmente um som que acalente nossos ouvidos?
Não dá para estabelecer regras, quando o sentimento é quem determina.
Então, sigo Eclética Assumida e Feliz.
